Arquivo mensal: abril 2012

Ah se ela tivesse diploma de publicidade!

Fazer um curso de publicidade, pra que? Não há exigência de diploma!
Sim, este é o pensamento de muita gente que pula uma etapa muito importante na carreira abrindo logo uma portinha e colocando uma bela placa anunciando que aquela é a mais nova agência de publicidade da cidade.  Eu tenho dó dos coitados que serão as primeiras e, provavelmente, as últimas vitimas destes pseudo-publicitários, pois dificilmente terão resultados com a competência destes que resolvem se aventurar no mundo da publicidade.

Mas por que escrevo isso? Eu tenho um cliente, a Igreja Presbiteriana de São Carlos, que transmite seus cultos aos domingos das 19h às 21horas. O sistema de transmissão é o Livestream e geralmente há uma presença de 10 a 15 pessoas por evento, quantidade satisfatória levando em conta que nunca houve uma divulgação estruturada para isso.  Há duas semana resolvemos dar um passo maior iniciando uma campanha on-line comprando palavras no Google adwords.
Pra não me preocupar muito com o gerenciamento desta conta, acabei vinculando uma gerente do próprio Google que cuida pra mim dos detalhes.

Meu objetivo nesta campanha é pegar as pessoas que estão on-line aos domingos a noite e, caso busquem as palavras que cadastrei, cliquem e participem da programação. Para isso, fiz uma grande alteração na campanha. Deixei que ela, a Alessandra,  configurasse a exibição dos links patrocinados para mim, mas quando entrei na área de gerenciamento pra dar um ok, percebi que minha campanha ficava ativa 24 horas por dia, 7 dias por semana. Achei aquilo um grande erro, pois meu usuário deve ser impactado na hora em que ele está online durante o evento. Entrei e mudei tudo. Minha programação de exibição dos anúncios se restringe apenas aos horários que me interessam.

Nesta semana recebi uma ligação com o DDD 031. Para os mais espertos, a Google fica em Minas Gerais e já imaginava quer seria ela, a minha gerente de contas no Google. Atendi.

–       Eu: Alô

–       Ela: Tudo bem senhor Samuel, é a Alessandra do Google.

–       Eu: Tudo bem Alessandra?

–       Ela: Sim, Sr Samuel. Estou entrando em contato para dizer que deve estar ocorrendo algum erro na sua campanha, pois o numero de conversões (cliques que efetivamente levam o usuário ao site que destinei) está muito baixo. Posso habilitar sua propaganda para todos os dias?

–       Eu: Não, eu prefiro assim (já meio sem paciência prevendo que a moça insistiria)

–       Ela: Mas é que o número de cliques está baixo.

Nesta hora eu lembro das formaturas em que participo como homenageado e tenho o privilégio de entregar o diploma simbólico aos alunos que passaram 4 anos estudando pra aprender que mídia se programa, não se usa todo o espectro possível para tentar, no escuro, acertar a cacetada no público visado.

–       Eu: Alessandra, eu não quero que o sujeito que está navegando na hora do almoço na quarta-feira clique no meu link, pois se ele clicar, dará de cara com uma página dizendo que o conteúdo prometido está offline.

–       Ela: Ok, Sr Samuel, vamos deixar assim então.

Ela não assumiu o erro, mas com certeza deve haver algum alerta no sistema dela dizendo que um dos clientes (eu) não está tendo um número legal de cliques e ela é forçada a intervir.

A campanha continua do jeito que está. São poucos os cliques, mas são bem pagos.

Ao Google, com todo respeito ao império que vocês construíram, instruir seus funcionários de que há um planejamento de mídia a ser seguido é algo muito importante. Aproveitando, quero lhes dizer que aqui no Brasil os veículos ainda seguem as regras do Cenp e pagam o Desconto Padrão de Agência de 20%. Os senhores se enquadram nesta categoria, portanto, seria legal começar a pagar.

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A vaquinha mugiu, a vaquinha disse.

Velhos gostam de coisas velhas. Velhinhos pedem sua atenção para contar histórias do passado. Velinhos gostam de relembrar o que aconteceu lá atrás. Pois é, eu começo a ver os primeiros sinais que me dão a noção concreta que, se não passei da metade da história da minha vida, estou pra passar e percebo que daqui pra frente meus assuntos prediletos, além de contar meus causos para os outros, são os comentários sobre os médicos (se são bons, se são pontuais etc), além daquilo que estes profissionais fazem (ou deveriam fazer direito) que é curar os bicos de papagaio, as artroses, as dores nos “neuvos”.
Mas assim como a Inglaterra não fez com as Ilhas Malvinas, meus cabelos brancos ainda não povoaram de forma definitiva minha ilha capilar e por isso me dou o direito de não falar tanto das coisas do passado e fazer um comentário sobre algo que vi hoje cedo e que, apesar de mexer no baú da metade do século passado, acabou se ligando com o presente.

Eu guardo um cd (cd, você sabe o que é? Na minha época a gente comprava música que vinha num disquinho redondo, é! Um disco que foi a evolução do disquete, lembr……ah…, deixa quieto) que é uma coleção de jingles que marcaram as décadas de 50 até 90. Este cd é uma preciosidade, ele é a história da propaganda cantada brasileira.
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Clique aqui e ouça a versão original do Jingle produzido pela Magisom e criação de G.Martins.

Ao ligar a tv hoje cedo enquanto tentava trabalhar com meu filho ao colo, ouvi uma propaganda que me fez desgrudar os olhos do monitor e olhar pra ela.

A Laticínios Mococa foi fundada em 1919 no interior de São Paulo e ganhou destaque por sua ousadia em fazer seu nome ser jogado para os quatro cantos do país. Um dos mais emblemáticos representantes desta propagação era um jingle criado na década de 50 e que marcou os adeptos dos produtos lácteos. O que me chamou a atenção foi o fato da Mococa, ainda na ativa e com um portifólio de produtos muito grande, ter relançado seu jingle num comercial que está sendo veiculado em algumas emissoras. O jingle permanece pouco alterado mas ganhou uma roupagem nova, moderna e é claro, condizente com o novo posicionamento da marca Mococa.

Quem fez isso há algum tempo foi a Casas Pernambucanas com o famoso jingle que começava com um monstro chamado “frio” se identificando a uma moça que dizia não adiantar ele bater à porta, ela não o deixaria entrar. A repaginada em jingles é uma sábia decisão de criativos que não têm “formiga na cadeira” e são diferentes daqueles que querem sempre coisas novas. Não que eu queira as velhas, mas tem criativo que ganha a conta de um cliente e a primeira coisa que recomenda é: muda o conceito criativo, muda as cores, muda o slogan e é claro, muda o logotipo. Reciclar o que deu certo no passado é usar uma pitada de sabedoria numa estratégia eficiente de divulgação que não tem vergonha de ousar com o que já foi usado…e usado e que deu certo.
Por hoje é só. Fique com a campanha da vaca mugindo e dizendo.