Ele tinha que estar vestindo aquela camisa?

 

Pois é, nem tudo está sob o controle dos nossos super poderes publicitários! Na última terça-feira o mundo viu ao vivo, na telinha da Globo, um troglodita usando seus dotes gorilais para pular a grade de proteção e protagonizar uma cena lastimável que demonstrou o natural deslocamento de massa encefálica para a musculatura.

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Tiago Ciro, o homem que protagonizou a bagunça durante a divulgação das notas das Escolas de Samba.

A apuração das notas atribuídas às escolas de samba de São Paulo foi uma cena constrangedora não só para os telespectadores, mas decepcionante para quem depositou muitas fichas no patrocínio da Império de Casa Verde, escola que abrigava embaixo de seu guarda-sol o marombado ignorante que atende pelo nome de Tiago Ciro. O rapaz, num ataque de fúria e não concordando com a maneira como o processo de julgamento estava sendo conduzido, pulou as grades que separam a torcida dos jurados e por fim chegou até à mesa onde se apropriou das notas do último jurado e as rasgou jogando num banheiro químico.

Na camisa usada pore ele, uniforme da agremiação que representava, estava a marca Transitions, uma lente fabricada pela Varilux que tende à transparência quando se está num ambiente escuro e escurece quando exposta à luz.

Mas será que tal exposição poderia embaçar a imagem da marca? Minha resposta é sim. Nenhuma marca espera ver sua imagem associada a escândalos. Há situações mais emblemáticas que nos mostram a reação imediata das marcas no sentido de agir para se desvincular do protagonista de um episódio negativo. Uma delas é o caso do Ronaldo Fenômeno, então contratado pela TIM e que se envolveu numa confusão com 3 travestis. Logo após a divulgação, a empresa rescindiu o contrato com o jogador e o retirou de qualquer aparição em comercias da operadora.

Mas até que ponto estas situações podem afetar a reputação de uma marca? Vou responder comentando um exemplo inverso desta situação e pra livrar a barra do ex-jogador, eu o cito novamente. Em alguma Copa do passado, o mesmo Ronaldo foi pago para levantar o dedo indicador cada vez que fizesse um gol. A ação foi planejada pela Brahma e sua respectiva agência de publicidade na época e era mais um ponto de contato do consumidor/telespectador com a marca, mas num momento muito intenso, o momento mais esperado do brasileiro que é o gol. Esta associação era eficiente porque havia por trás desta estratégia todo um planejamento de mídia cujo resultado era a exposição das pessoas levantando o dedo para a “número 1”. Nada melhor do que ver sua marca sendo lembrada num momento de muita euforia dos consumidores e o objetivo era atingido: ponto positivo para a marca.

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Ronaldo com o indicador levantado após o gol.

 

O caso Transitions acabou tendo o mesma efeito, mas de forma reversa e é claro, em menor intensidade. Para aqueles que vivem de forma intensa a disputa das escolas de samba de São Paulo e até para aqueles que acompanham o evento que tradicionalmente é televisionado, a maneira “bandida” como tudo aconteceu respinga de forma negativa na marca. É claro que isso não significará em redução das vendas do produto e muito menos que qualquer pessoa vá se lembrar do ocorrido na hora de comprar os óculos, mas as marcas devem tomar muito cuidado com as pessoas que “vestem” suas camisas. Os efeitos começam a se tornar preocupantes quanto maior a intensidade de acontecimentos negativos e quanto maior a ligação do protagonista com a marca.

Neste caso específico o dano só não foi maior por dois motivos: O troglodita é um anônimo, pelo menos para grande parte da população e não há um envolvimento direto dele com a Marca, ou seja, ele não era o garoto propaganda.

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Publicado em 24 de fevereiro de 2012, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. CONCORDO SAMUEL. O nosso cuidado como “planejadores” exige uma eficiência sobrenatural em vincular uma marca, produto ou serviço a determinados “personagens”. Complemento a sua avaliação. Em alguns casos, não podemos esquecer as pesquisas de mercado, ou pesquisas de opinião pública. Como exemplo cito também o jogador Ronaldo Fenômeno que mesmo tendo seu contrato rescindido com a TIM, depois de determinado período veio para o Corinthians e mostrou mais uma vez o que é ter sido um fenômeno no esporte que o brasileiro mais gosta. Trouxe com ele as maiores verbas de marketing da história de um time, alavancou resultados (com exceção da Libertadores, lógico) e ainda virou o maior garoto propaganda da CLARO, Bozzano, Jontex, Dirigente da CBF e Coordenador da Copa do Mundo, ampliou as atividades de sua empresa de marketing esportivo a R9, com contratos multimilionários. As pesquisas mostraram que a imagem dele não foi abalada por seus escândalos ou pela gordura em excesso e novas marcas agregaram seus valores ao personagem. É isto! É um fenômeno!

    • Irretocável seu comentário. O cara conseguiu dar a volta por cima e atrair para si esse império de grandes empresas que toparam investir. O passado dos escândalos ficou para trás. Já em termos de futebol ele teve um fim de carreira pífio, num time de grande torcida, centenário, mas inexpressivo, sem um título internacional sequer. Escolhas da vida. Rsrsrsr. Abração Monte.

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