Fala baixo moleque, seu irmão ta dormindo!

Olhaí, Olhaí dona de casa, vamos chegando, vamos comprando!

Se você não é filho único e por acaso chegou antes de algum do(s) seu(s) irmã(s), deve ter ouvido sua mãe pedir para você falar baixo e evitar gritar para não acordar o pobre do bebê que desfruta de uma soneca. Esta ação de falar mais alto pode ser pura distração da criança, que no auge da sua empolgação acaba se excedendo ou até mesmo um sintoma de que seu reinado está chegando ao fim. Sim, a chegada de um irmão é altamente estressante para as crianças e a explicação é simples: Toda atenção antes dedicada a ela será dividida e pior, esta divisão nos primeiros meses de vida do “cara de joelho” pode ser desigual, visto que ele necessitará de uma maior atenção.

Mas porque esse bla-bla-bla? Você sabia que os comerciais de tv ganham um “up” no volume que é bem superior ao do conteúdo da programação normal?  Segundo pesquisa encomendada pelo jornal Folha de São Paulo,  a diferença entre os “plim-plins”, ou seja, a programação normal e o break chega a 5 decibéis na maioria dos canais. E isso está cada vez mais evidente nos canais fechados. Não sei se a comparação de que o irmão mais novo da tv, a internet, está interferindo nisso, mas os comerciais estão gritando cada vez mais alto para chamar a atenção dos consumidores.

Outro fato curioso constatado nesta mesma pesquisa é que esta variação do volume é “inocentemente” maior nas programações cujo conteúdo seja destinado ao público infantil. Que coisa, hein!

Mas como barrar isso?

Nós já conhecemos o pais em que, por mais que sejam criadas leis para tentar regulamentar alguma coisa, a distância entre o que está publicado no Diário Oficial e a prática é muito grande, ou seja, sempre haverá um afrouxamento e tudo acabará em pizza. No que tange ao barulho,  a lei 10.222/01 é clara ao dizer que “Os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens padronizarão seus sinais de áudio, de modo a que não haja, no momento da recepção, elevação injustificável de volume nos intervalos comerciais”, mas não há fiscalização e a Anatel se cala.

Sem esta fiscalização eficiente por parte da Anatel, a propaganda brasileira ganha ares de feira livre onde a busca por vender mais acaba sendo disputada no grito. Quem grita mais tem a chance de chamar mais a atenção e vender mais. Será que precisamos disso? Acho que não.

Se esta “forcinha” que os veículos estão dando aos anunciantes tem acontecido sem nenhuma voz que se erga e diga que eles estão falando muito alto, a Procuradoria Regional dos direitos  do Cidadão em São Paulo, órgão ligado ao Ministério Público Federal,  entrou com um pedido para que a Anatel seja obrigada a exercer o controle importo pela lei e puna as televisões que podem ficar de 30  a 90 dias com suas programações suspensas.

Falando como publicitário, nada como ganhar um destaque no comercial, mas enquanto consumidor, considero este aumento do volume um desrespeito à minha escolha.

Abraços e Quieta nenê.

Samuel Gatti Robles é publicitário, especialista em Gerenciamento de Marketing e mestrando em psicologia dos usuários de mídias sociais pela Universidade Federal de São Carlos.

Publicado em 11 de novembro de 2011, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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